A microbiota intestinal é composta por mais de 100 triliões de microrganismos, desempenha um papel central na manutenção da saúde geral, influenciando processos fundamentais como a digestão, o metabolismo, o sistema imunológico e até o nosso comportamento. Além de ajudar na absorção de nutrientes essenciais, a microbiota também regula a resposta imunitária, o que a torna vital para o equilíbrio do organismo. Cuidar da microbiota intestinal não se limita à digestão, mas também reflete diretamente no bem-estar físico e emocional.
O que é a microbiota intestinal?
A microbiota intestinal é uma comunidade diversificada de microrganismos, incluindo bactérias, fungos, vírus e parasitas, que habitam o trato gastrointestinal. Estima-se que, numa pessoa de 70 kg, a microbiota intestinal pese cerca de 200 gramas. Esses microrganismos desempenham funções essenciais, como a produção de vitaminas, a modulação do sistema imunitário e a proteção contra microrganismos patogénicos. A microbiota está presente não apenas no intestino, mas também em outras áreas do corpo, como a pele, o sistema respiratório e os órgãos genitais. Importa, no entanto, distinguir entre microbiota (o conjunto de microrganismos presentes em uma determinada região) e microbioma (o conjunto dos genes desses microrganismos) (Anand, 2018).
A relação simbiótica entre o corpo e a microbiota
A interação entre a microbiota e o organismo humano é simbiótica. Isso significa que as necessidades dos microrganismos e as nossas estão interligadas. Ao contrário da visão tradicional, que considera as bactérias como ameaças, devemos reconhecer que a maioria desses microrganismos é benéfica e essencial para o funcionamento adequado do corpo, ajudando na digestão, na produção de substâncias nutritivas e na regulação do sistema imunitário. A nossa saúde depende dessa interação mútua (Dinan, 2017).
Funções essenciais da microbiota intestinal
A microbiota intestinal realiza várias funções vitais, incluindo:
- Proteção: Ajuda a proteger o intestino contra microrganismos patogénicos, competindo por nutrientes e espaço e gerando substâncias antimicrobianas.
- Produção de metabólitos: Produz ácidos gordos de cadeia curta e outras substâncias que são essenciais para a saúde intestinal e do sistema nervoso.
- Regulação do sistema imunitário: Modula a resposta imunológica, ajudando a prevenir doenças autoimunes e alergias.
A disbiose (desequilíbrio da microbiota) tem sido associada a uma série de condições de saúde, incluindo distúrbios metabólicos, doenças cardiovasculares, problemas neurológicos e até doenças de pele, como acne. Portanto, manter o equilíbrio da microbiota intestinal é fundamental para garantir o bom funcionamento do organismo como um todo (Fan et al., 2021).
Fatores que influenciam a composição da microbiota intestinal
Diversos fatores podem afetar a composição da microbiota intestinal, incluindo alimentação, uso de medicamentos (como antibióticos), ambiente e estilo de vida. Além disso, a genética, a idade, o sexo e o histórico de saúde também desempenham papéis importantes. A microbiota evolui ao longo da vida, sendo particularmente moldada pelas experiências do início da vida, como o tipo de parto e a alimentação nos primeiros meses.
Desenvolvimento da microbiota intestinal: fatores essenciais
A formação da microbiota intestinal começa ainda na gravidez, com a transmissão de microrganismos da mãe para o bebé. O tipo de parto (vaginal ou cesariana) influencia o tipo de microbiota transmitido ao bebé. O leite materno, além de fornecer microrganismos benéficos, contém prebióticos que ajudam no desenvolvimento de uma microbiota saudável. A introdução de alimentos sólidos também contribui para a diversificação bacteriana. Aos três anos, a microbiota do bebé estabiliza, formando a base para a microbiota adulta. A exposição ao ambiente, o contacto com animais e a convivência com outras crianças favorecem a formação de uma microbiota mais diversa e saudável.
Promover a saúde da microbiota intestinal
Manter a microbiota intestinal equilibrada é essencial para a digestão, o sistema imunitário e o metabolismo. Embora as seguintes práticas possam beneficiar a maioria das pessoas, é importante personalizar cada abordagem conforme as necessidades individuais. Caso tenha dificuldades digestivas ou desequilíbrios, é aconselhável procurar orientação profissional. Algumas orientações gerais incluem:
- Consumo de alimentos ricos em fibras: Alimentos como frutas, legumes, tubérculos e cereais integrais favorecem o trânsito intestinal e a diversidade bacteriana.
- Evitar alimentos processados e açúcares refinados: Alimentos processados e ricos em açúcares refinados favorecem o crescimento de bactérias prejudiciais e contribuem para o desequilíbrio da microbiota intestinal.
- Fontes de gorduras saudáveis: Gorduras monoinsaturadas e ácidos gordos ómega-3 ajudam a reduzir a inflamação e promovem o equilíbrio da microbiota. Inclua azeite virgem extra, abacate, peixes gordos e frutos secos.
- Alimentos fermentados: Iogurtes naturais, kefir e chucrute são ricos em probióticos, que ajudam a melhorar e a equilibrar a microbiota intestinal.
- Exercício físico regular: A prática regular favorece a motilidade intestinal e contribui para uma digestão eficiente.
- Sono adequado: O descanso adequado é essencial para o equilíbrio da microbiota e do sistema digestivo.
- Redução do stress: O stress crónico afeta negativamente a microbiota intestinal. Práticas como yoga e meditação podem ajudar a reduzir os efeitos do stress.
A Osteopatia Visceral e a saúde intestinal
A Osteopatia Visceral tem como objetivo melhorar a funcionalidade do sistema digestivo e aliviar tensões nas estruturas que suportam os órgãos intestinais, como fáscias e ligamentos. Ao otimizar a motilidade intestinal e reduzindo a inflamação, a Osteopatia Visceral pode contribuir para criar um ambiente mais favorável ao equilíbrio da microbiota intestinal. Assim, abordagens como a Osteopatia Visceral podem ter um impacto indireto positivo na saúde intestinal (Mancini et al., 2021).
Compreender a microbiota intestinal numa perspetiva integrativa
A saúde da microbiota intestinal é fundamental para o funcionamento geral do organismo e para a prevenção de várias condições de saúde. Manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, exercício físico regular e uma boa gestão do stress, é essencial para garantir o equilíbrio da microbiota.
Na Integrativa, a Osteopatia Visceral é parte de um tratamento global, complementada pela Psiconeuroimunologia Clínica. Esta abordagem integrativa considera as necessidades e especificidades de cada paciente, ajustando a intervenção para promover um equilíbrio geral da saúde. Avaliam-se fatores como o sono, o exercício físico, a alimentação saudável e a regulação do stress, de forma a poder abordar cada paciente de uma forma integrativa e personalizada.
David Brandão | Osteopath and Physiotherapist
Specialised in Clinical Psychoneuroimmunology
Physiotherapist Card: 3652 | Order of Physiotherapists // Osteopath Card: C-0031697 | ACSS
Reference articles
- Brugman, R., et al. (2010). The effect of osteopathic treatment on chronic constipation – A pilot study. International Journal of Osteopathic Medicine, 13(1), 17–23. https://doi.org/10.1016/j.ijosm.2009.10.002
- Müller, A., et al. (2014). Effectiveness of osteopathic manipulative therapy for managing symptoms of irritable bowel syndrome: A systematic review. Journal of Osteopathic Medicine, 114(6), 470–479. https://doi.org/10.7556/jaoa.2014.098
- Erdrich, L. M., Reid, D., & Mason, J. (2020). Does a manual therapy approach improve the symptoms of functional constipation? A systematic review of the literature. International Journal of Osteopathic Medicine, 36, 26–35. https://doi.org/10.1016/j.ijosm.2020.05.003
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