Num contexto de vida cada vez mais acelerado, o sono é frequentemente desvalorizado, apesar do seu papel central na regulação do sistema imunitário. A relação entre sono, reparação celular e resposta imunitária encontra-se hoje bem documentada, sendo atualmente reconhecida como um dos elementos relevantes na manutenção da saúde ao longo do tempo.
A importância do descanso noturno na reparação celular
O sono não representa apenas uma interrupção da atividade diária. Trata-se de um período biologicamente ativo, durante o qual o organismo direciona recursos para processos essenciais de reparação e regulação. Durante o descanso noturno, ocorrem mecanismos envolvidos na renovação celular, na consolidação da memória, no equilíbrio metabólico e na modulação da resposta imunitária.
Estes processos dependem de uma organização adequada do sono, tanto em quantidade como em qualidade.
Reparação e regeneração durante o sono
Enquanto dormimos, os tecidos do corpo entram em fases de reparação e regeneração celular. Este fenómeno é particularmente relevante após o desgaste físico e metabólico acumulado ao longo do dia. A privação crónica de sono pode interferir com estes mecanismos, reduzindo a eficiência da reparação celular e tornando o organismo mais vulnerável a disfunções fisiológicas.
Modulação do sistema imunitário durante o sono
Durante o sono, verifica-se uma alteração no perfil de atividade do sistema imunitário, incluindo o aumento da produção e libertação de determinadas citoquinas, como a interleucina-1, a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral. Estas moléculas participam na coordenação da resposta imunitária, tanto inata como adaptativa.
Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, a produção destas substâncias pode ser alterada, o que tende a comprometer a eficácia da resposta imunitária e a capacidade de adaptação do organismo a agentes externos.
Consequências da privação de sono na função imunitária
A privação crónica de sono tem sido associada a alterações relevantes do funcionamento do sistema imunitário. Entre os efeitos descritos encontram-se:
- Maior suscetibilidade a infeções
- Alterações da resposta inflamatória
- Maior propensão para fenómenos alérgicos
- Perturbações da regulação imunitária
- Associação com maior risco de determinadas patologias crónicas
Estes efeitos não resultam de uma única noite mal dormida, mas da exposição repetida a padrões de sono inadequados.
Estratégias para favorecer um sono mais regulado
A promoção de um sono mais organizado pode apoiar os mecanismos de reparação celular e a regulação do sistema imunitário. Algumas medidas gerais incluem:
• Manter horários de sono e despertar relativamente consistentes
• Criar um ambiente noturno escuro, silencioso e confortável
• Reduzir a exposição à luz azul nas horas que antecedem o sono
• Evitar estímulos cognitivos intensos ao final do dia
• Integrar práticas que favoreçam a transição para o repouso
Estas estratégias devem ser sempre enquadradas numa avaliação individual, considerando o contexto de vida, os níveis de stress e os padrões de ativação do sistema nervoso.
Compreender o sono como regulador da saúde imunitária
O sono desempenha um papel estruturante na organização da resposta imunitária e nos processos de reparação celular. Longe de ser um período de inatividade, o descanso noturno corresponde a uma fase de elevada atividade fisiológica, durante a qual o sistema imunitário ajusta a sua resposta, regula processos inflamatórios e participa na renovação dos tecidos.
Valorizar o sono não significa apenas aumentar o número de horas dormidas, mas compreender de que forma o organismo utiliza esse período para manter o equilíbrio funcional e a capacidade de adaptação. A qualidade do sono influencia a coordenação entre os sistemas nervoso, endócrino e imunitário, condicionando a resposta a agentes externos e a gestão do stress fisiológico.
In Integrative Osteopathy, com enquadramento em Psiconeuroimunologia Clínica, o sono é considerado um processo regulador central. e um indicador relevante do estado global do organismo. A sua avaliação permite integrar o ritmo circadiano, os níveis de ativação do sistema nervoso, a exposição à luz, o impacto do stress crónico e os hábitos diários, contribuindo para uma leitura clínica mais ampla e alinhada com a fisiologia e a individualidade de cada pessoa.
David Brandão | Osteopath and Physiotherapist
Specialised in Clinical Psychoneuroimmunology
Physiotherapist Card: 3652 | Order of Physiotherapists // Osteopath Card: C-0031697 | ACSS
Integrativa | Health and well-being as a lifestyle















