Muitas pessoas querem mudar hábitos que sabem que não lhes fazem bem. Pode ser a alimentação, o sono, a forma como lidam com o stress ou a falta de movimento. Apesar dessa consciência, a mudança nem sempre acontece. A ideia de que “basta querer” para mudar um hábito é frequente, mas raramente corresponde à experiência real.
Mudar hábitos é um processo complexo, que envolve o corpo, a mente e o contexto de vida de cada pessoa. Compreender porque é tão difícil mudar é um primeiro passo importante para tornar esse caminho mais realista e sustentável.
Porque resistimos à mudança
O cérebro humano tende a preferir rotinas conhecidas. Hábitos repetidos tornam-se automáticos e exigem menos esforço mental, o que ajuda a poupar energia e a tornar o dia a dia mais previsível.
Quando se tenta alterar um hábito já instalado, o organismo pode reagir com resistência. Mesmo quando a mudança é positiva, sair do que é familiar pode gerar desconforto, insegurança ou ansiedade. Por isso, é comum surgir vontade de regressar ao comportamento antigo, sobretudo em períodos de maior cansaço ou stress.
Além disso, muitos hábitos estão ligados à chamada zona de conforto. Mesmo quando não são saudáveis, são conhecidos e previsíveis. A mudança implica lidar com o novo e, muitas vezes, com o receio de falhar, o que pode levar à desistência antes de o novo comportamento se consolidar.
A importância da consistência e de expectativas realistas
Outro obstáculo frequente é a falta de consistência. Mudar hábitos não significa fazer tudo “bem” durante alguns dias, mas sim manter pequenas alterações ao longo do tempo.
Expectativas pouco realistas também dificultam o processo. Muitas pessoas esperam resultados rápidos e visíveis. Quando isso não acontece, surge frustração e desmotivação. No entanto, mudanças reais tendem a ser graduais. Os efeitos positivos acumulam-se com o tempo, mesmo que no início sejam subtis.
Como tornar a mudança mais possível
A mudança de hábitos é um processo contínuo, não um momento isolado. É normal haver avanços e recuos. O mais importante é manter uma abordagem flexível e ajustada à realidade de cada pessoa.
Alguns princípios que podem ajudar são:
- Aceitar que a mudança leva tempo
- Definir objetivos pequenos e alcançáveis
- Introduzir alterações de forma progressiva
- Valorizar os progressos, mesmo quando parecem modestos
- Evitar a autocrítica excessiva quando algo não corre como planeado
O apoio de outras pessoas pode fazer a diferença. Partilhar objetivos com alguém de confiança ajuda a criar compromisso e a reduzir a sensação de estar a lidar com o processo sozinho. Ter apoio ao longo do percurso contribui para maior clareza, consistência e motivação, sobretudo nos momentos em que surgem dúvidas, cansaço ou vontade de desistir.
Em alguns casos, o acompanhamento profissional pode ser útil para organizar ideias, definir prioridades e estruturar mudanças de forma mais ajustada à realidade diária. Este apoio ajuda a transformar intenções em planos concretos, com objetivos claros e passos exequíveis.
Conhecer os próprios padrões
A mudança torna-se mais viável quando existe uma compreensão mais profunda dos próprios padrões. Isto vai além de saber “o que fazer”. Implica perceber porque determinado hábito existe, em que contextos surge, que função cumpre e o que o mantém ativo ao longo do tempo.
Quando uma pessoa reconhece melhor as suas respostas automáticas, emoções, gatilhos e limites, ganha maior margem de escolha. Esta consciência permite antecipar dificuldades, ajustar expectativas e construir estratégias mais realistas, em vez de repetir tentativas baseadas apenas na motivação inicial.
O papel do compreender (deep learning)
Mudar hábitos tende a ser mais sustentável quando existe compreensão da razão da mudança, e não apenas força de vontade. A força de vontade, por si só, é variável e muito dependente do contexto. A compreensão cria significado e reforça a motivação interna.
Por exemplo, quando alguém percebe os efeitos negativos do consumo excessivo de açúcar, como o impacto nos níveis de energia, na inflamação ou na regulação metabólica, e ao mesmo tempo entende os benefícios de o reduzir, como maior estabilidade energética, melhor controlo do apetite ou maior sensação de bem estar, a adesão ao novo hábito tende a ser mais consistente.
Neste cenário, a mudança deixa de ser vivida como uma restrição imposta e passa a ser uma escolha informada, alinhada com objetivos pessoais de saúde. Saber porque se muda facilita a continuidade do processo, mesmo quando surgem dificuldades ou recaídas pontuais.
Na Consulta de Osteopatia Integrativa, ajudar cada paciente a alcançar este nível de compreensão permite transformar a mudança de hábitos num processo mais consciente e integrado. Ao perceber como determinados comportamentos afetam o seu próprio organismo, a pessoa ganha maior autonomia, reconhece padrões que dificultam a mudança e desenvolve estratégias mais ajustadas à sua realidade.
Compreender a mudança de hábitos numa perspetiva integrada
Mudar hábitos não depende apenas de força de vontade. Envolve compreender como o corpo e a mente funcionam, respeitar limites individuais e adaptar as mudanças ao contexto de vida.
Quando a mudança é encarada como um processo gradual, sustentado por escolhas conscientes e ajustadas à realidade de cada pessoa, torna-se mais viável e mais fácil de manter. Cada pequeno passo conta e contribui para uma relação mais equilibrada com a saúde e o bem estar.
Boas mudanças!
David Brandão | Osteopath and Physiotherapist
Specialised in Clinical Psychoneuroimmunology
Physiotherapist Card: 3652 | Order of Physiotherapists // Osteopath Card: C-0031697 | ACSS
Integrativa | Health and well-being as a lifestyle















