A segurança dos alimentos não depende apenas da sua origem ou qualidade nutricional, mas também dos materiais com que entram em contacto durante a preparação, confeção e armazenamento. A evidência científica sugere que alguns materiais utilizados na cozinha podem, em determinadas condições, libertar pequenas quantidades de substâncias potencialmente indesejáveis, sobretudo quando expostos a calor elevado, contacto prolongado ou alimentos ácidos.
Estas libertações tendem a ocorrer de forma discreta e cumulativa. Embora, na maioria dos casos, não estejam associadas a efeitos imediatos, a exposição repetida ao longo do tempo pode assumir relevância do ponto de vista da saúde, especialmente quando considerada no contexto global do estilo de vida e da carga total de exposições a que o organismo está sujeito diariamente.
Para além do plástico, existem outros materiais comuns na cozinha cujo uso pode beneficiar de uma utilização mais informada.
- Alumínio: O alumínio é amplamente utilizado em utensílios de cozinha devido à sua leveza e boa condução de calor. No entanto, trata-se de um material que, em determinadas circunstâncias, pode apresentar maior propensão para libertar pequenas quantidades de alumínio para os alimentos. Esta migração pode ocorrer, sobretudo, quando o alumínio é exposto a temperaturas elevadas ou em contacto com alimentos ácidos. Por esse motivo, é habitualmente sugerida alguma prudência na utilização de recipientes de alumínio para cozinhar ou armazenar alimentos quentes ou ácidos, como molhos de tomate ou citrinos, particularmente quando o contacto é prolongado.
- Cobre: O cobre é um excelente condutor térmico, razão pela qual é frequentemente utilizado em utensílios de cozinha. No entanto, o contacto direto do cobre com os alimentos, especialmente os ácidos, não é geralmente recomendado, uma vez que pode ocorrer libertação de cobre para o alimento. Por esta razão, os utensílios de cobre disponíveis atualmente apresentam, na maioria dos casos, um revestimento interno que impede esse contacto direto. A integridade desse revestimento é um aspeto relevante, uma vez que o desgaste pode aumentar a probabilidade de migração de metais.
- Utensílios de bambu compostos: O bambu, enquanto material natural, não levanta, por si só, preocupações significativas. Contudo, muitos utensílios comercializados como “bambu” correspondem, na realidade, a materiais compostos que incluem resinas sintéticas, como a melamina. Em determinadas condições, nomeadamente quando expostos a calor elevado ou a alimentos ácidos, estes materiais podem libertar pequenas quantidades de substâncias indesejáveis. Assim, a sua utilização deve respeitar as indicações do fabricante, evitando situações para as quais não foram concebidos, como o aquecimento.
Materiais considerados mais estáveis
Alguns materiais apresentam, de forma geral, maior estabilidade química e menor propensão para libertar substâncias durante o uso, sendo frequentemente considerados como opções mais seguras para cozinhar e armazenar alimentos:
- Aço inoxidável, valorizado pela sua durabilidade e estabilidade
- Ferro fundido esmaltado, adequado para cozinhar a temperaturas elevadas
- Vidro temperado, utilizado no armazenamento e aquecimento de alimentos
- Cerâmica, desde que de boa qualidade e com esmaltes apropriados ao contacto alimentar
Uma abordagem consciente no dia a dia
Falar de toxicidade não implica eliminar todos os materiais considerados menos ideais, mas sim compreender em que contextos determinados utensílios podem representar maior exposição e quando o seu uso deve ser mais criterioso.
Na Osteopatia Integrativa, esta atenção aos hábitos do dia a dia, incluindo os materiais utilizados para cozinhar e armazenar alimentos, integra-se numa avaliação global da saúde e do estilo de vida.
David Brandão | Osteopath and Physiotherapist
Specialised in Clinical Psychoneuroimmunology
Physiotherapist Card: 3652 | Order of Physiotherapists // Osteopath Card: C-0031697 | ACSS
Integrativa | Health and well-being as a lifestyle















