A dor lombar é uma das principais causas de limitação funcional a nível mundial, afetando milhões de pessoas todos os anos. Estima-se que, em 2020, cerca de 619 milhões de pessoas tenham experienciado episódios de dor lombar, o que corresponde aproximadamente a 1 em cada 13 indivíduos. Apesar da sua elevada prevalência, continuam a existir muitos mitos e interpretações incorretas em torno desta condição.
Compreender melhor o que a ciência atualmente descreve sobre a dor lombar é um passo importante para uma gestão mais informada e ajustada à realidade clínica. Este é, precisamente, o foco do Dia Mundial da Fisioterapia 2024, assinalado a 8 de setembro, que destaca a dor lombar e o papel da Fisioterapia no seu acompanhamento.
Dor lombar pode acontecer em qualquer idade
Existe a perceção de que a dor lombar é um problema exclusivo das idades mais avançadas. No entanto, episódios de dor lombar podem ocorrer em qualquer fase da vida. Embora a maioria das pessoas venha a experienciar pelo menos um episódio ao longo da vida, apenas uma percentagem reduzida desenvolve dor lombar persistente, geralmente definida como dor com duração superior a três meses.
Esta distinção é importante, pois ajuda a reduzir receios desnecessários e a compreender que, na maioria dos casos, a dor lombar tem uma evolução favorável.
O que significa dor lombar inespecífica e como é avaliada
Um dos equívocos mais frequentes é assumir que a dor lombar está sempre associada a uma lesão estrutural identificável. A evidência científica indica que cerca de 90% dos episódios de dor lombar são classificados como inespecíficos, ou seja, não estão diretamente associados a uma patologia ou a uma estrutura específica, como um músculo, articulação ou disco intervertebral.
Nestes casos, a dor não indica necessariamente a presença de uma condição grave, sendo antes o resultado de múltiplos fatores que interagem entre si, incluindo carga, movimento, contexto de vida e resposta individual do organismo.
A Fisioterapia tem um papel relevante em diferentes fases da dor lombar
Entre as várias condições de saúde, a dor lombar é uma daquelas em que um maior número de pessoas pode beneficiar de reabilitação. Independentemente da fase em que a dor se encontra, aguda ou persistente, a reabilitação desempenha um papel central no acompanhamento clínico.
A Fisioterapia contribui não apenas para a recuperação funcional, mas também para:
- Melhorar a compreensão da dor
- Reduzir o medo associado ao movimento
- Apoiar o regresso progressivo às atividades do dia a dia
- Preservar a autonomia e a independência funcional
Este processo é particularmente relevante para ajudar as pessoas a retomarem as atividades de que gostam, de forma segura e ajustada.
A cirurgia não é, na maioria dos casos, a primeira opção
É comum associar dor lombar à necessidade de cirurgia. No entanto, a esmagadora maioria das pessoas com dor lombar não necessita de intervenção cirúrgica. As abordagens conservadoras são, na maioria dos casos, a primeira linha de acompanhamento.
A Fisioterapia pode incluir:
- Programas educativos que ajudam a compreender e gerir a dor
- Programas de exercício supervisionados, ajustados às necessidades individuais
- Terapia manual, quando adequada, integrada numa abordagem global
A cirurgia é reservada para situações específicas e cuidadosamente avaliadas em contexto clínico.
Desmistificar crenças frequentes sobre a dor lombar
Algumas ideias amplamente difundidas podem condicionar negativamente a forma como a dor lombar é vivida e gerida.
- Dor intensa não significa necessariamente lesão grave: A intensidade da dor nem sempre reflete a gravidade da condição. Na maioria dos casos, a dor lombar não está associada a situações graves.
- Exames de imagem nem sempre explicam a dor: Achados como protusões discais ou sinais de desgaste são frequentes em pessoas sem dor. Por isso, exames de imagem devem ser solicitados apenas quando clinicamente indicados.
- Dobrar ou carregar pesos não é, por si só, prejudicial: A coluna é uma estrutura robusta e adaptável. O fortalecimento progressivo e o treino do movimento ajudam a realizar tarefas do quotidiano com maior confiança.
- Repouso prolongado não favorece a recuperação: Embora possa ser útil ajustar temporariamente algumas atividades, o movimento e o retorno gradual à atividade são componentes importantes do processo de recuperação.
O papel da Fisioterapia no acompanhamento da dor lombar
Os Fisioterapeutas são profissionais especializados na avaliação e acompanhamento da dor lombar. Através de uma abordagem individualizada, fornecem aconselhamento, orientação e intervenção ajustados a cada pessoa, apoiando a recuperação funcional e a gestão da dor ao longo do tempo.
O exercício assume um papel central neste processo. A evidência atual sugere que não existe um tipo de exercício universalmente superior. O mais importante é manter-se ativo e praticar exercício de forma regular e adequada, sendo o Fisioterapeuta o profissional indicado para ajudar a identificar o tipo de exercício mais ajustado a cada caso.
Compreender a dor lombar numa perspetiva informada
Compreender os mitos e os factos associados à dor lombar permite uma abordagem mais cuidada e informada desta condição. O movimento, quando adequado e progressivo, é uma componente essencial da saúde da coluna. Uma avaliação clínica ajustada e um acompanhamento individualizado podem apoiar a gestão da dor lombar ao longo do tempo, respeitando a individualidade e o contexto de vida de cada pessoa.
Se acorda frequentemente com dor nas costas, procure a avaliação de um Fisioterapeuta na Integrativa. Uma avaliação e uma abordagem individualizada permite identificar os mecanismos associados à dor, orientar estratégias adequadas e apoiar a melhoria da função e da qualidade de vida.
David Brandão | Osteopath and Physiotherapist
Specialised in Clinical Psychoneuroimmunology
Physiotherapist Card: 3652 | Order of Physiotherapists // Osteopath Card: C-0031697 | ACSS
Integrativa | Health and well-being as a lifestyle















