A tendinopatia dos adutores é uma condição musculoesquelética frequente, sobretudo em indivíduos fisicamente ativos. Caracteriza-se por alterações estruturais do tendão em resposta a sobrecarga mecânica repetida, assumindo relevância no contexto da fisioterapia, onde a avaliação funcional e a intervenção baseada no exercício são determinantes para uma recuperação adequada.
Os músculos adutores, localizados na face medial da coxa, desempenham um papel fundamental na estabilização da anca e no controlo do movimento de adução. A elevada exigência em modalidades como futebol, atletismo ou rugby expõe estas estruturas a cargas repetitivas que, quando não são devidamente geridas, podem ultrapassar a capacidade adaptativa do tendão.
Enquadramento em fisioterapia: avaliação clínica
A abordagem em fisioterapia inicia-se com uma avaliação detalhada, que não se limita à localização da dor. O raciocínio clínico integra diferentes componentes:
- História clínica e análise da carga de treino
- Avaliação da dor, considerando localização, intensidade e comportamento
- Testes de força dos adutores e abdutores
- Avaliação da mobilidade da anca e do controlo lombo-pélvico
- Análise funcional de gestos como corrida, mudanças de direção e remate
A identificação de défices, como desequilíbrios musculares ou alterações no controlo motor, é essencial para orientar a intervenção de forma individualizada.
Modelo de tendinopatia e implicações na intervenção
A intervenção em fisioterapia baseia-se no modelo de continuum da tendinopatia, sendo ajustada à fase em que o tendão se encontra.
Na fase reativa, observa-se um predomínio de dor e sensibilidade, sendo prioritária a modulação da carga e o controlo sintomático.
Na fase de disfunção, estão presentes alterações estruturais com potencial de reversibilidade, sendo introduzida progressivamente carga terapêutica.
Na fase degenerativa, verificam-se alterações estruturais mais marcadas, com a intervenção orientada para a otimização da função e redução do risco de progressão.
Intervenção em fisioterapia
A evidência atual sustenta uma abordagem ativa, centrada no exercício terapêutico, podendo ser complementada por estratégias de terapia manual quando clinicamente indicado.
Gestão de carga e educação
A gestão da carga mecânica constitui um dos pilares da intervenção em fisioterapia. Este processo envolve:
- Ajuste do volume, intensidade e frequência do treino
- Prevenção de aumentos abruptos de carga
- Educação do indivíduo relativamente à dor e à progressão segura da atividade
Exercício terapêutico
O exercício é a principal ferramenta de intervenção, sendo progressivo e adaptado às necessidades de cada indivíduo.
Na fase inicial, correspondente à fase reativa, privilegiam-se exercícios isométricos com objetivo de analgesia e ativação muscular, mantendo a função sem agravamento dos sintomas.
Na fase intermédia, associada ao condicionamento, introduzem-se exercícios concêntricos e excêntricos, com progressão gradual da carga.
Na fase avançada, orientada para o retorno ao desporto, incluem-se exercícios de maior exigência funcional e especificidade, com integração de componentes pliométricas e mudanças de direção.
Manual therapy
Embora não constitua a intervenção principal, a terapia manual pode ser utilizada como complemento, contribuindo para:
- Pain reduction
- Improving mobility
- Muscle relaxation
Inclui técnicas como massagem, mobilizações articulares e estratégias de libertação miofascial.
Controlo neuromuscular e integração na cadeia cinética
A fisioterapia contemporânea enfatiza a integração funcional do membro inferior na cadeia cinética global. Este processo inclui:
- Treino do core e do controlo lombo-pélvico
- Melhoria da coordenação intermuscular
- Optimisation of movement patterns
Prevenção em fisioterapia
A intervenção da fisioterapua estende-se além da fase de reabilitação, integrando estratégias preventivas com relevância clínica:
- Implementação de programas de fortalecimento na pré-época
- Identificação e correção de assimetrias
- Monitorização da carga ao longo da época desportiva
Compreender a tendinopatia dos adutores numa perspetiva integrativa
A tendinopatia dos adutores requer uma abordagem estruturada, na qual a fisioterapia assume um papel central na gestão da condição e na prevenção de recorrências. Através de uma avaliação rigorosa, da adequada gestão da carga e da prescrição individualizada de exercício, é possível promover a recuperação funcional e otimizar o desempenho, reduzindo fatores de risco associados.
A prática baseada na evidência sustenta que uma intervenção ativa, progressiva e centrada na pessoa constitui a estratégia mais consistente na abordagem desta condição.
Alexandra Gomes | Physiotherapist and Clinical Pilates Instructor by APPI
Physiotherapist Card: 1459 | Order of Physiotherapists
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