A cirurgia de prótese de anca é um procedimento cada vez mais comum em Portugal. Esta intervenção substitui a articulação natural da anca por uma articulação artificial, permitindo restaurar a mobilidade e eliminar a dor em pessoas que sofrem de artroses avançadas, fraturas do colo do fémur ou outras patologias que comprometem a mobilidade articular e a funcionalidade.
Embora a cirurgia seja fundamental para eliminar a dor e restaurar a função articular, é a Fisioterapia que assume um papel determinante no processo de reabilitação e na recuperação global do paciente.
Sintomatologia e fatores de risco
A colocação de uma prótese na anca é muitas vezes a solução mais eficaz para recuperar a mobilidade e eliminar a dor provocada pelo desgaste ou lesão da articulação. Para um diagnóstico precoce e uma intervenção atempada, é essencial reconhecer os fatores de risco e os sinais de alerta.
Principais fatores de risco:
- Doenças degenerativas (osteoartrose, osteonecrose)
- Doenças inflamatórias (artrite reumatoide)
- Traumatismos (fratura do colo do fémur, luxações repetidas, má consolidação de fraturas)
- Outros fatores predisponentes (idade avançada, obesidade, sedentarismo, uso prolongado de corticoides, doenças metabólicas)
Sinais de alerta que justificam avaliação médica:
- Dor persistente
- Rigidez articular
- Claudicação
- Deformidade ou encurtamento do membro
- Falta de resposta a tratamentos conservadores (fisioterapia, medicação)
O papel da Fisioterapia
A Fisioterapia desempenha um papel essencial no sucesso da cirurgia de prótese da anca, tanto na fase pré-operatória como na recuperação pós-operatória.
O seu principal objetivo é promover a recuperação da mobilidade articular, reduzir a dor e o edema, reforçar a musculatura envolvida e facilitar o regresso do paciente às suas atividades diárias com autonomia e qualidade de vida.
Para além disso, a Fisioterapia contribui para uma recuperação mais rápida e segura, favorecendo o equilíbrio, a estabilidade e a qualidade de vida.
Cada processo de reabilitação deve ser individualizado e ajustado às necessidades de cada pessoa, uma vez que a evolução depende de múltiplos fatores, como o tipo de próteses, o estado geral de saúde e o ritmo de cicatrização.
Deste modo, é fundamental o acompanhamento contínuo do fisioterapeuta para garantir uma recuperação completa e segura.
Fases de reabilitação
A reabilitação após cirurgia é progressiva e individualizada, respeitando o tipo de prótese utilizada, o nível de dor e o tempo de cicatrização dos tecidos. De forma geral, divide-se em várias fases:
- Fase pré-operatória: educação e ensino de estratégias para o pós-operatório imediato, redução da dor e inflamação, manutenção da mobilidade e fortalecimento da musculatura.
- Fase 1 – Recuperação inicial: controlo da dor e do edema, prevenção da rigidez articular, recuperação gradual da amplitude de movimento, iniciar a ativação muscular e treino de marcha com auxiliares.
- Fase 2 – Fortalecimento muscular: introdução progressiva de exercícios de força, de resistência e controlo neuromuscular, treino de equilíbrio e coordenação e de marcha sem auxiliares.
- Fase 3 – Retorno gradual à atividade: reforço muscular global, promoção da recuperação funcional, restabelecimento da estabilidade, do controlo postural e a confiança na realização das atividades da vida diária.
Cuidados a curto e longo prazo
Logo após a cirurgia, é essencial adotar alguns cuidados para garantir uma recuperação segura:
- Evitar cruzar as pernas ou fletir em demasia a anca (mais de 90º), respeite as indicações do seu médico
- Utilizar cadeiras mais altas e com apoio
- Se dormir sobre o lado não operado, colocar uma almofada entre as pernas
- Cumprir rigorosamente o plano de exercícios recomendado pelo fisioterapeuta
Mesmo após a conclusão da reabilitação, é importante manter hábitos saudáveis como a prática regular de exercício físico adaptado, evitar o excesso de peso e continuar o acompanhamento periódico com fisioterapeuta e o médico.
Para quem sofre de patologias que limitam a mobilidade e causam dor intensa na anca, a cirurgia de prótese representa um marco de transformação na qualidade de vida. No entanto, o verdadeiro sucesso deste procedimento não depende apenas da intervenção cirúrgica, mas também de um processo de reabilitação rigoroso e bem orientado.
A Fisioterapia desempenha um papel determinante em todas as fases da recuperação, uma vez que, através de um acompanhamento personalizado, o fisioterapeuta ajuda o paciente a recuperar a força, a mobilidade, o equilíbrio e a confiança, promovendo uma recuperação segura, autónoma e duradoura.
Assim, a combinação entre uma cirurgia bem-sucedida e um programa de fisioterapia adequado, combinado com o empenho e assiduidade do paciente, é essencial para alcançar uma recuperação completa, prevenir complicações e restabelecer plenamente a qualidade de vida do paciente.
Se foi ou vai ser submetido a uma cirurgia para colocação de prótese na anca, a nossa equipa de Fisioterapeutas está pronta para o ajudar. Marque a sua avaliação na Integrativa e dê o primeiro passo rumo à sua recuperação.
Rita Xarepe | Fisioterapeuta e Instrutora de Pilates Clínico pela APPI
Cédula Fisioterapeuta: 4209 | Ordem dos Fisioterapeutas
Integrativa | A saúde e o bem-estar como um estilo de vida















